Douglas Cristian's Blog

abril 8, 2010

Andrea Del Fuego – Grande escritora brasileira contemporânea

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 5:21 pm

A partir de hoje vou trazer algumas resenhas e críticas literárias que estou produzindo. Falarei principalmente dos livros que li recentemente espero que gostem. Vou começar falando de um livro interessantíssimo que li nessas férias que foi o sensual, picante mas com muita elegância “Minto enquanto posso” da escritoria Andrea Del Fuego.

O livro é uma viagem no universo sexual feminino. Dotada de uma profunda sensibilidade Del Fuego conta histórias de várias mulheres utilizando-se de microcontos profundamente provocativos.

O mais interessante de tudo é que existem duas formas de se falar de erotismo. Uma é a vulgar que utiliza linguagem chula e baixo teor poético e a outra é a elegante. Andrea Del Fuego é muito elegante e faz da leitura de seu livro uma viagem à sensualidade feminina.

Andrea é dotada de uma sensibilidade e possui recursos linguísticos que saltam ao olhos, é um livro interessantíssimo e vale a pena ler. Além de possuir uma edição e um projeto gráfico de muito capricho e criatividade.

Lançado em 2004 pela Editora O Nome da Rosa  http://andreadelfuego.wordpress.com/

Redes sociais e autonomia da esfera econômica

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 5:18 pm

Nigel Dodd em “A sociologia do dinheiro”, busca a explicação das relações sociais que fazem parte do universo das trocas monetárias e do universo objetivo do dinheiro.

Ao contrário do que se normalmente pensa o dinheiro é bem mais que um facilitador de trocas, substituindo o escambo. Mas o símbolo de uma cadeia de fenômenos sociais que lhe atribuem valor e servem para além das trocas.

O dinheiro precisa ser muito mais do que o citado acima, mas deve também ser unidade de conta e uma reserva de valor. Ou seja, o dinheiro além de ser quantificado pode também ser guardado e sendo guardado ele deve permanecer com o mesmo valor. Outra característica fundamental do dinheiro é que ele deve possuir liquidez, ou seja, deve poder ser trocado por qualquer mercadoria a qualquer momento, desde que esteja em uma unidade de valor compatível com a mercadoria a ser adquirida.

O valor desse dinheiro é construído socialmente, o que faz com que o seu valor permaneça constante é uma rede que funciona na base da confiança.

A grosso modo, o indivíduo troca uma mercadoria por dinheiro e isto inclui sua força de trabalho, por confiar que este dinheiro possui liquidez, ou seja, possa ser trocado por bens e serviços necessários para sua  subsistência. Uma vez quebrada esta confiança, ou seja, perdas do valor líquido do dinheiro a sociedade entra em colapso social.

Partindo desse ponto, o mais importante no estudo do Dodd sobre o dinheiro, é entender que o dinheiro possui uma eterna função social, ou seja, a função de ponte entre as relações sociais mercadológicas, como objeto de manifestação da confiança dos indivíduos nas relações sociais mercadológicas instituídas. Ou seja, objeto de confiança do indivíduo em uma entidade anônima.

Uma das razões das crises no sistema capitalista são mostras da quebra da confiança e da perda do valor real monetário ao longo de um determinado evento histórico. Exemplo disto é o fato da desvalorização da libra esterlina na economia européia (citado no texto) ou até mesmo a recente crise econômica internacional do subprime, que apresenta dois fatores interessantes.

O primeiro fator foi a manifestação de uma nova forma para o dinheiro, forma essa que eram os títulos da dívida do mercado subprime. Esses títulos sofreram uma valorização extrema a princípio, atraindo investidores e criando uma espécie de “bolha”. Quando de repente não houve mais sustentabilidade para o valor desses títulos e então ocorreu a desvalorização desses papéis, houve consequentemente, uma perda de liquidez semelhante apenas ao crack de 1929. Este foi o estopim para a manifestação do segundo fator determinante para a crise.

A falta de confiança nas instituições responsáveis pela gestão do dinheiro, o que levou os investidores a “segurar” seu dinheiro gerando um efeito o qual somente ações governamentais de socorro a essas instituições seriam capazes de salvá-las.

Conclui-se então que todas as manifestações do dinheiro em nossa sociedade existem a partir de uma relação social de confiança, que se estabelece a partir da liquidez da moeda vigente. Sem essa relação liquidez x confiança, os modos de troca tornar-se-iam completamente descaracterizados, remontando às trocas via escambo.

Daí a necessidade de se entender as questões econômicas além de uma esfera quantitativa e mercadológica, sendo este o objeto de questionamento de Ricardo Abramovay em seu texto. Afinal, segundo ele, “Toda ênfase está no conhecimento do mercado como mecanismo de formação de preços e, portanto, de alocação de recursos a partir de dos quais uma sociedade se reproduz e se desenvolve.”

Não cabe mais a atual ciência econômica uma análise sem levar em consideração os fatores sociais que levaram os elementos a agir dessa ou daquela maneira. Segundo Ronaldo Coase “os economistas contemporâneos interessam-se apenas pela “determinação dos preços de mercado”, mas a “discussão sobre a praça de mercado (market place) desapareceu inteiramente”.

Entende-se então o papel fundamental da Sociologia Econômica como ciência fomentadora de uma análise econômica mais humanizada e mais próxima da efetiva realidade. Essa realidade que é construída não no mercado, mas além do mercado. Precisamente o mercado existe a partir de relações sociais anteriores ao mercado.

O mercado de trocas surge como meio de objetivação das necessidades humanas, necessidades que são diversas e socialmente criadas. Logo, anterior a necessidade há uma relação social. Sendo assim, todas as trocas são mediante fenômenos sociológicos e anteriores à expectativa econômica.

Voltando ao texto de Nigel Dodd, o dinheiro surge então como meio social de representação de uma unidade de valor que simboliza o que socialmente vale determinado item.

Sendo assim, somente é possível explicar plenamente os fenômenos econômicos, tendo como base a análise da sociedade.

Resenha sobre os capítulos XX e XXI livro Princípios

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 5:12 pm

Capítulo XX
Valor e Riqueza – Suas Qualidades Específicas

Ricardo neste capítulo se posiciona diante das teorias de valor e riqueza de Say e Smith, pois as mesmas possuíam grande influência no pensamento econômico da época.
Inicialmente, neste capítulo Ricardo trabalha a diferença essencial entre riqueza e valor. Pois riqueza não depende da abundância e sim da facilidade ou dificuldade da produção. Logo, não é apenas a necessidade que quantifica a questão do valor segundo ele, mas quanto mais complexa e elaborada for a produção de determinado bem, maior será o seu valor. Cita como exemplo a questão sobre o que vale mais se é 1 libra de ouro ou 1 libra de ferro. E responde que é ouro, por causa da sua raridade, porém em termos de valor de uso, teoricamente, o ferro é muito mais útil.
Valor para Ricardo, não depende da quantidade de trabalho empregado mas sim das condições para produção. Segundo ele “tudo aumenta ou diminui de valor em proporção à facilidade ou dificuldade de sua produção”.
Smith diz “que um indivíduo é rico ou pobre de acordo com a quantidade de trabalho que ele pode adquirir”, mas para Ricardo, Smith está errando ao dizer isso, um exemplo que ele usa para explicar é o da mina, se em uma mina se tornar mais fácil a produção, o valor do ouro e da prata se diminuirá. Ou seja, quanto mais otimizada for a produção de um determinado bem, menor se tornará o seu valor. Pois faltam medidas invariáveis para chegar plenamente a essa noção de valor.
A riqueza de um país pode ser aumentada de duas maneiras, primeiramente através da utilização de uma maior parte dos rendimentos na manufatura do trabalho produtivo, com que o mesmo retorne ao ciclo de produção.
Quanto menores forem os gastos com itens de luxo, e maiores forem os investimentos do país em seus meios produtivos, maior tende a ser a riqueza que o mesmo acumula.
Este reinvestimento proposto por Ricardo melhora as condições de produção, diminui custos, pois diminui a necessidade de novos investimentos de forma maciça e melhora a produtividade.
Embora Ricardo não cite países que assim fazem em sua época, é interessante notar que nações como Portugal que possuiam grandes reservas de ouro e itens de altíssimo valor comercial, permaneceram à margem do desenvolvimento, pois não reinvestiram os rendimentos com a venda de itens primários na produção de mais riqueza e sim compravam itens de luxo para sua ostentação presente e destruição econômica futura.
Por essa razão Ricardo defende o uso de maquinas e o pleno uso de meios naturais que auxiliem o homem na produção de bens. Pois as máquinas têm a capacidade de produzir mais mercadorias com custo menor na produção. Os meios naturais podem produzir então ainda mais pois eles estão a disposição do homem, sem custo de manutenção.
O pensamento ricardiano exposto no capítulo em questão é complexo e denso, porém atual e segue uma lógica que torna historicamente compreensível, por que há países tão mais ricos que outros.

Capítulo XXI
Efeitos da Acumulação sobre lucro e juros

Neste texto Ricardo permanece em diálogo com Smith, agora questionando o que poderia se tornar fator preponderante na queda das taxas de lucro. Segundo ele o que leva a queda dos lucros é o aumento com o capital fixo, ou seja, o aumento dos salários dos trabalhadores.
Este aumento de salário pode ser perigoso aos lucros se houver um aumento considerável no consumo de itens de primeira necessidade acima da capacidade produtiva do país.
Ricardo combate a idéia da “mão invisível do mercado”, que se manifesta com o aumento da concorrência, demonstrando que ao produzir, o individuo visa o consumo de outro produto, a fim de contribuir para sua produção futura: os produtos sempre são comprados com outros produtos ou com serviços, assim estimulando reciprocamente a economia, o dinheiro para Ricardo apenas era um facilitador entre trocas.
Para Ricardo não há limites para o capital, tanto para sua, oferta como para sua demanda. O dono do capital pode flutuar de um negócio a outro, buscando o a manutenção dos índices de lucratividade. Nessa flutuação o capitalista pode manter a classe trabalhadora, pois a oferta de trabalhadores é diretamente proporcional aos meios de subsistência.
Sobre a taxa de juros, Ricardo vê como um bom critério para estimar a evolução dos lucros. Sempre que o valor e a quantidade de dinheiro sofrem flutuações, o fluxo de comercialização do dinheiro também é alterado, de acordo com a necessidade do governo ou dos cidadãos, afetando as taxas de juros e consumo das mercadorias, podendo elas ser estocadas a fim de não se baixar os preços para venda, ou haver aumento de produção para atender a nova demanda.
A visão ricardiana sobre lucro é bastante atual e reflete o desenvolvimento do capitalismo moderno.

Karl Marx e A relação da propriedade privada

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 5:10 pm

Neste texto Marx trabalha com a questão do trabalho como algo que mantêm o homem como necessário. Sua função ante o capital é de apenas vender sua força, essa força explica sua existência e sua condição de reprodução. Essa existência será objetivada através do salário que o trabalhador recebe pela venda de sua força de trabalho e que mantêm sua perpetuidade.
O homem possui uma relação direta com o capital. É ele quem sustenta o capital com a venda de sua força de trabalho e o capital o sustenta com o salário da venda de sua força de trabalho. Segundo Marx, “ O trabalhador produz o capital; o capital produz o trabalhador”.
O trabalhador se reproduz, como mercadoria a um movimento total, que ao final ele estará totalmente alienado.
O capital existe através do trabalhador, porém sua existência somente é possível onde haja capital, pois o trabalhador não possui a força de trabalho para si. Mas produz a mesma para a existência do capital. Sem capital não há força de trabalho. pois o trabalho torna-se desnecessário ao seu comprador, que no caso é o capitalista.
Para o capitalista o trabalhador somente precisa de manutenção, nada além de se manter como tal. Tal qual uma raça de animais que a partir do instante que perdem sua utilidade são substituídos por outros, ou simplesmente destruídos.
Essa relação homem-mercadoria, retira do homem sua humanidade, esta retirada de humanidade, leva o indivíduo à perca de valores, racionalidade e deforma por completo sua consciência. Entregando-o ao nada que significa sua existência.
Este nada que ele se encontra se reproduz enquanto o trabalhador for apenas capital ativo e possuir em si mesmo o capital necessário. Ou seja, o trabalhador não significa nada para o capitalista. Possui em si a desgraça de não possuir nada além de si como trabalho em essência, sendo sua existência pretérita à esta essência.
Segundo Marx, “ Trabalho decompõe-se em si e no salário. O trabalhador mesmo [como sendo] um capital, uma mercandoria.”, Marx ainda denomina isto como uma “oposição recíproca hostil”. Pois apesar do capitalista julgar-se no lucro e o trabalhador julgar-se como merecedor de suas partes, eles são ilúdidos pelo fetiche que o capital produz em si mesmo.
Tanto trabalhador como capitalista andam em direção ao nada, pois se desumanizam nesta relação antagonicamente incoerente.

Consequências da modernidade segundo Guidens

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 5:07 pm

Giddens desenvolve um raciocínio bastante pessimista ante a modernidade. Este novo modo de vida,
que surgiu na Europa durante o século XVII e se tornou aos poucos mundial, roubou do indivíduo a
sua individualidade, deixou o homem imerso em um enorme vazio, onde ele está plenamente
desorientado.
O homem moderno não foi preparado para mudanças tão radicais em seus valores, convicções e
percepções da vida. Ele não consegue mais se objetivar em seu trabalho e nem consegue lidar com
máquinas que o imitam e o substituem.
Nesta angústia o homem começa a perder sua humanidade.
Para explicar este movimento em direção ao nada, Giddens utiliza uma visão histórico­dialética para
analisar a sociedade em questão. Esta visão dialética é a responsável pela dinâmica histórica que a
modernidade conduz o homem.
Segundo ele há um desencaixe espaço­tempo na sociedade moderna.
O homem pré­moderno, possuia um contato maior com a natureza e com sua vila. Este
contato lhe proporcionava uma ambientação diferente ante ao tempo que era medido pela sua
percepção natural.
O que não acontece na modernidade. O homem moderno utiliza o relógio, algo que em nada
se assemelha com a natureza para estabelecer suas noções temporais.
A modernidade também mudou a forma do homem se relacionar com os espaços, sua visão
de mundo era limitada o que lhe trazia a um contato maior com o seu próximo.
Com isso, Giddens faz uma análise da visão de pensadores do século XIX, buscando
acrescentá­los a forma de entender o processo de modernização. Marx enxergava todo processo de
modernidade como um processo dialético que com a queda do modo de produção capitalista se
extinguiria para o surgimento de um modo de produção mais preocupado com o ser humano.
Durkheim enxergava na industrialização a possibilidade de uma existência mais harmoniosa onde os
valores individuais e a divisão do trabalho possibilitariam ao homem maior capacidade de
desenvolvimento como tal. Weber via com pessimismo este novo mundo moderno, pois ele se
controi na degeneração da criatividade e na perda da autonomia dos individuos.

De onde vem a sociologia

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 5:04 pm

O século XVIII foi um século de profundas transformações na estrutura da sociedade européia. Estas transformações modificaram todo um cenário de uma relativa estabilidade (característico das sociedades pré-capitalistas) vivida até então e colocaram. Estas mudanças colocaram o homem europeu no centro de um verdadeiro furacão histórico.
Neste ambiente conturbado, o homem se vê em meio a duas revoluções, a francesa, com a vitória da burguesia sob a nobreza e a industrial que retirou o homem do campo e o levou à cidade, acabou com o ofício do artesão, transformando-o em empregado fabril.
A sociedade então é vista como um problema a ser resolvido e para solucionar as variáveis desta equação surge o pensamento sociológico,
Diferentemente de outras ciências, a sociologia não é criação de um homem, nem de uma escola de pensamento localizada em uma nação, tampouco possui data de nascimento, mas sim, surge da junção de um contexto social completamente novo e desafiador que incluiu o homem em um imenso vazio cercado pelas incertezas.
Conclui-se que a sociologia é a ciência que insere o homem na sociedade e a sociedade no homem. Complexa para uns, estimulante para outros, a sociologia é a ciência que vem tentando salvar o homem de seu vazio social.

Imaginação sociológica

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 5:03 pm

Segundo C. Wright Mills, a imaginação sociológica é uma qualidade de espírito que permite ao homem enxergar além de suas possibilidades pessoais imediatas. Ou seja, lhe permite ir além de suas impressões imediatas e corriqueiras.
Isto permitiria ao homem a condição de entender-se em seu meio social e se libertar de tudo que lhe prende, fazendo-o compreender as razoes que lhe imputaram sua atual condição.
A imaginação sociológica é a chave para a compreensão dos contrastes da sociedade, do valor simbólico dos menores atos e da compreensão das diversas formas de organização social.

Relações sociais e economia

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 5:01 pm

O modo econômico de uma sociedade possui suas entranhas operacionais no modo vida adotado por aquela sociedade. Pois o homem no um ser econômico e sim um ser social, embora em todas as eras, o ser humano buscou sempre uma maneira de organizar suas trocas, essas formas sempre foram visando a manutençãoo e a sustentabilidade da sociedade, seja essa sociedade uma família, uma tribo e até mesmo uma sociedade organizada.
Esse argumento se baseia em evidências antropológicas de que o ser humano possua uma natureza eternamente maximizadora e que instintivamente procuraria o lucro.
Essa viso limitaria o homem a simples agente do modo de produto capitalista. Mas esse modo de produção no nasceu com a humanidade, to pouco historicamente inerente sociedade.
O indivíduo como ser social sempre se preocupa com o seu status cuo dentro do grupo social que está inserido. Exemplo disto são a diversa gama de sociedades que surgiram sem a presença do elemento riqueza, onde a noção de ganho e lucro completamente desconhecida.
Estas sociedades criam formas de desenvolvimento de suas trocas baseados em vrios elementos, como cita Karl Polanyi em seu capítulo 4 do livro A Grande Transformação, como por exemplo a reciprocidade e a redistribuição.
Entende-se a partir dos estudos de sociedades, como a das Ilhas Trobriand, que possuem suas trocas baseadas em um sistema religioso complexo e conseguem a partir do princípio da reciprocidade gerar a subsistência abundante de todo um arquipélago.
Baseando-se neste exemplo e no exemplo de outras sociedades, possível afirmar que a presença de elementos religiosos guiando o modo de desenvolvimento da economia e raramente o contrário, o homem como ser social e interdependente possui em sua estrutura ideológica as raízes que norteiam suas escolhas. E a que entram os princípios religiosos e cabalísticos, essas formas de organizações ideológicas fornecem ao indivíduo subsídios para desenvolvimento de sua forma de enxergar sua vida em sociedade e por conseguinte a forma de reproduzir e objetivar sua existência.
Porém seria limitado demais atribuir apenas religião este papel, mas a cultura como um todo cria laços para desenvolvimento de padres de comportamento. Esta cultura se manifesta na filosofia (que se confunde com a teologia em diversas sociedades), nas artes, na educação, no folclore, enfim em todos os elementos que constituem o espírito humano.
A criação de laços sociais geram então uma simetria e uma centralidade nas trocas, o que ir gerar padres econômicos gerais. Estes padres se sustentam sobre a reciprocidade e sobre a forma em que os laços sociais são construídos. Quanto mais fortes os laços sociais criados, maior a efetividade dos sistemas sociais criados.
Sendo assim o ser humano no tem, como característica natural, o desejo pela maximização, mas sim, essa característica socialmente criada por fatores sociais, que o levarão, de uma forma ou de outra a buscar e pensar capistalsticamente.
E assim como o pensamento e o espírito capitalista foram criados socialmente, também podem ser socialmente destruídos, afinal, no são formas de vida naturais e sim sociais.
Conclui-se então, por mais absurdo que aos nossos olhos capitalistas isso possa parecer, que o capitalismo, apesar de entranhado no sociedade moderna, não é e nem pode ser uma característica da alma humana, mas sim, uma escolha do ser humano.
Escolha esta que possui suas conseqüências, e assim como tudo que o ser humano produz possui a capacidade de se tornar historicamente obsoleto.
Como todas as sociedades e impérios historicamente construídos, o capitalismo também cair.

O maior erro da história humana

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 4:57 pm

Baseada no capítulo 4 “Sociedades e Sistemas Econômicos” do livro “A Grande Transformação” de Karl Polanyi

O autor traz neste texto diversos princípios que questionam teorias anteriores sobre a natureza do espírito econômico do ser humano e de sua natureza propensa a ganhos e lucros.

Inicialmente, ele argumenta que sempre houveram manifestações econômicas. O ser humano, segundo Polanyi, tem como natureza a socialização e por isso ele sempre desenvolveu sistemas que lhe proporcionasse a possibilidade de trocas. Porém, nenhum sistema se baseia no ganho e no lucro individual como móvel de suas trocas.

As trocas, segundo Polanyi, seguem em outras sociedades outros princípios, que esses sim seriam essenciais para a manutenção do homem como ser social. Princípios que não visam tão somente sua sobrevida, mas principalmente, mostram que o homem age primeiramente para salvaguardar sua posição social, suas exigências pessoais e todo seu patrimônio sociais, que são segundo ele, muito mais importantes para o ser humano que a simples acumulação de bens materiais.

Para manter seus laços sociais o ser humano, os homens seguem padrões morais, desenvolvem atividades de acumulação e distribuição de tudo que é necessário para a manutenção coletiva. Graças a esta noção, o ser humano se organizou e se organiza em sociedades onde não há exata noção de lucro e até mesmo ausência riqueza, entrando tão somente no mérito de se acumular àquilo que dá ao indivíduo prestígio social, baseado em princípios das tradições herdadas de seus antepassados.

Não que o ser humano seja comunista por essência, pois são relações de reciprocidade e redistribuição, os quais em geral se baseiam estas práticas sociais.

Como exemplo do argumento o autor cita o exemplo do kula. O kula é um sistema de trocas utilizado nas ilhas Trobriand da Melanésia Ocidental.

Este é um sistema que se baseia numa distribuição circular de mercadorias, fundamentado na magia, onde não há a noção de posse e os bens circulam livremente de uma ilha a outra do arquipélago sem acumular bens, mas baseado no princípio da reciprocidade.

Em outras sociedades os bens (essencialmente alimentos) são produzidos e entregues a chefes que se responsabilizam por armazenar e redistribuir os bens pela tribo.

Porém, segundo Polanyi, “Princípios de comportamento como esse, contudo, não podem ser efetivos a menos que os padrões institucionais existentes levem à sua aplicação.”, esses padrões precisam levar a reciprocidade dos membros de uma sociedade a terem uma centralidade de princípios e uma simetria nas ações.

O kula é um exemplo de uma atividade que possui simetria, visto que possui regras claras e princípios que são passados geração pós geração.

Havendo essa simetria, nenhuma ação individual de uma interferência no sistema econômica é racionalmente viável. A divisão do trabalho fica assegurada e as obrigações econômicas são como se fossem obrigações sociais, que se realizam naturalmente. Segundo Polanyi, “o sistema econômico é mera função da organização social”.

Polanyi afirma que “O selvagem individualista, que procura alimentos ou caça para si mesmo ou para sua família nunca existiu” e “A necessidade de comércio ou de mercado não é maior do que no caso a reciprocidade ou da redistribuição”. Sendo assim é possível comprovar a idéia de que os interesses sociais do indivíduo são maiores que suas necessidades comerciais e individuais, retirando do homem o fardo de ser um homo economicus e trazendo-o como um ser social. Sendo assim, o egoísmo capitalista seria algo socialmente criado, o que dá margem a interpretação de que pode ser socialmente destruído.

Porém a questões que não ficam claras, como por exemplo, se a maximização não é natural dos indivíduos o que justificaria a ascensão do sistema capitalista? Quais teriam sido os fatores que motivaram tamanha mudança do ser humano de um paradigma social para outro? Quais seriam as transformações sociais que imprimiram um caráter tão diferente ao indivíduo?

Talvez tenhamos cometido o maior erro da história, deixar princípios de harmonia social para abraçar o incerto e artificial lucro. Substituir relações sociais por relações mercantis.

Talvez seja esse o abismo em que a humanidade resolveu cair.

abril 3, 2010

NADA

Filed under: Uncategorized — douglascristian @ 1:01 am

Eu acordei, olhei para a rua e as pessoas andavam felizes, era dia de feriado. Feriados são a especialidade dos brasileiros, podemos ter milhares por ano sem se perguntar o porquê.

As crianças corriam atrás de uma bola, as senhoras conversavam nas janelas e alguns homens conversavam aos berros em botequim. Tudo ao som do que há de pior na música brasileira e eu me reverberava por dentro, andando de um lado para o outro do meu quarto. Tudo é tão vago, tão fútil….

Nesses devaneios sigo, sigo a não pensar. Não quero pensar. Desisto de pensar. Meu pensamento não significa nada e não muda o mundo. Não me aproxima de nada, não me leva a lugar nenhum. Caminho numa rua vazia, caminho na rua do pensamento que não significa nada.

Então prefiro não pensar, escrevo apenas essas linhas difusas, confusas, sem nexo, que jamais serão lidas por ninguém visto que meu blog não tem muita audiência.

Prefiro apenas colocar nessas linhas o que antigamente eu colocaria num caderno ou num diário.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.